terça-feira, 27 de março de 2012

Elas secam

como aquarelas abandonadas ao mau tempo
aquelas flores desbotavam,
começavam a desaparecer

cores escorriam como chuva em vidro
mas era como vida -
desmanchando-se em papel

de galochas e guarda-chuva passei pelo
jardim de guache tentando corar-lhe -
e ali deixei um botão

mas meu jardim já era um borrão -
cinza e aguado - e o vento
esturricou as pontinhas vermelhas do botão

uma rosa seca num jardim de lágrimas
sem canto ou cores, zumbidos ou beijos
flores molhadas secavam histéricas, estéreis

sábado, 28 de janeiro de 2012

Calada Caminho

calada caminho
lata e linho
luta caduca
endulzar os nãos
mi niño caminha
mendigas mãos
minados orgãos
calada caminho

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As Águas

sua lua particular pesponta
em mar de sonhos mal vividos
prazeres não sentidos - limbo do irrealizado.
suas águas, seu lar.

tritão rejeita sua coroa carente de madre-pérolas
e a expulsa de seus domínios ouro-azuis.
líquida, ela dança em lago negro e acasala no breu –
o desvario mundano lhe basta entre os panos